Watchmen: O filme
Ora, eu fui assistir esse filme uma vez! Quero dizer, duas! Tres vezes! Não porque o filme fosse bom ou algo do genero, mas porque foi surgindo a oportunidade e eu, para não chatear quem me convidava, aceitava. Saiba como foi o filme clicando na materia, mas esteja avisado! Se você não leu o filme ou não leu o gibi, posso estar estragando sua diversão contando detalhes dele!
Bem... Vou ser bem sincero. Até gostei dessa experiencia de assistir um filme de duas horas e meia 3 vezes em um espaço de 8 dias. Porque dessa forma mudou minha forma de pensar sobre o filme. Ao fim da primeira seção, estava lá eu pensando em como era mediano o filme, por não ter seguido ao pé da letra a HQ original. E como em um passe de magica, ao fim da ultima seção, minha ideia era como o filme era bom por ter seguido fielmente a HQ. Vai entender o que passa na minha cabeça, né?
Antes, um pouco de história. O filme se basea em uma HQ feita lá nos idos dos anos 80 por Alan Moore e Dave Gibbons. A DC Comics queria aproveitar o talento mostrado por Alan na HQ adulta "O monstro do Pantano" para fazer o principal produto da editora: histórias de Super Herois. E Alan aceitou empolgado pois a DC tinha acabado de adquirir os direitos dos Super Herois da Charlton Comics, uma editora pequena. Isso seria muito bom para ele, pois lhe permitiria escrever a história que quisesse sem ter que se preocupar com a continuidade dela (nos EUA, muitos super herois estrelam mais de uma HQ, assim, qualquer mudança mais drastica na historia de uma afeta a continuidade da outra. Isso amarra e muito o poder criativo dos escritores).
Espectral e Coruja
Claro que a DC recusou, pois tinha "Planos Maiores" para esses super herois (leia-se "Crise nas Infinitas Terras"). Alan Moore não se abateu. Pegou os seus rascunhos e mudou os nomes dos personagens. Saem Sombra da Noite, Besouro Azul, Thunderbolt, Questão, Capitão Atomo e Pacificador. Entram Espectral, Coruja, Ozymandias, Rorschach, Doutor Manhattan e o Comediante. Mais alguns ajustes e voila: uma das maiores obras primas das histórias em quadrinhos mundial.
Pelo status de Obra Prima que a HQ conseguiu, muitos achavam impossivel transpor a essencia da HQ para a Telona sem transformar ela em um lixo descartavel. Como foi o caso, na minha opinião, do V de Vingança e do Liga de Cavalheiros Extraordinários. E essa tarefa de titã recaiu sobre os ombros de Zack Snyder, diretor do elogiado "300".
Rorschach segurando o broxe do recem falecido Comediante
Primeiramente, Watchmen não é um filme de super herois. É um filme sobre super herois. Como seria um mundo se eles existissem e como eles agiriam, influenciados por nosso mundo real. Já imaginou se o Super Homem realmente existisse e ele fosse funcionario do governo norte americano? Que rumo a guerra fria tomaria?
A história de Moore começa com a morte de um dos maiores "super herois" do universo Watchmen: o Comediante. Ele, que na decada de 40 agia em parceria com outros super-herois do grupo chamado Homens Minuto. Com fim desse grupo, passou a trabalhar para o governo americano, derrubando ditadores na America do Sul e agindo como espião. E mesmo com sua boa forma (apesar dos seus 60 anos), foi arremessado pela janela de vidro reforçado do seu apartamento.
Comediante lendo jornal, com o Ozymandias ao fundo
Embora todos acreditem que isso tenha sido apenas um crime comum, Rorschach, um violento super-heroi que se recusa a aceitar a "aposentadoria forçada" imposta pelo governo, inicia uma investigação do crime que para ele, é obra de algum arqui inimigo que deseja matar super herois. E tentando evitar mais crimes, ele tenta avisar os mascarados restantes: Coruja (antigo parceiro de luta, hoje um heroi aposentado passando por uma crise de meia idade), Ozymandias (um dos poucos que revelou sua identidade, hoje dono de uma gigantesca corporação responsavel pela fabricação de utensilios diversos, desde brinquedos até perfumes. Tambem conhecido como o homem mais inteligente do mundo), Doutor Manhattan (o unico realmente com super poderes, adquiridos durante um acidente durante um experimento sobre remoção de campos intrinsecos. Possue o poder de se transportar e alterar a propriedade da matéria) e sua esposa, Espectral (filha da Espectral original dos Homens Minutos).
Rorschach sem seu famoso "rosto"
Já não bastasse isso, o mundo caminha para a beira do abismo. URSS começa a invadir o Afeganistão como provocação aos EUA. E isso após de aumentar o seu arsenal nuclear de forma assustadora. Mas os EUA ainda se consideram a salvo, pois contam com o maior arsenal do mundo: Doutor Manhattan. Afinal de contas, do que adianta uma bomba atomica se existe alguem capaz de transformar plutonio em talco?
Assim, temos dois paises ridicularmente poderosos e absurdamente incomodados com o poder alheio. O que aconteceria se um pais atacasse o outro primeiro? E o que aconteceria com quem não atacasse primeiro? E se por obra do destino, o maior trunfo da America fosse neutralizado? Caminhariamos todos rumo a 3 guerra mundial? Ou o que resultaria dali seria algo tão destrutivo que nem mereceria o nome Guerra?
Ozymandias, explicando a um grupo do governo, a importancia da descoberta de uma forma de energia barata e renovavel
Assim, temos duas histórias em separados que acabam influindo uma na outra. O caçador de mascarados e a eminencia da 3 guerra mundial. Apartir desse pano de fundo, é contada a história de cada um dos personagens do Watchman. E como a trama vai enrolando eles e desenrolando.
O filme começa com a cena da morte do Comediante, inesquecivel, pois a luta se dá ao som da musica "Unforgettable" do Nat King Cole. Passamos para os creditos, que mostram em cenas os principais trechos do universo Watchmen que não é retratado no filme: Os Homens Minutos da decada de 40, a gravidez da Espectral original e sua aposentadoria (no estilo A santa ceia, como podem ver abaixo na foto), o movimento hippie sendo fuzilado (uma das mais bonitas e impactantes cenas), os EUA indo a Guerra do Vietnam, a reeleição do Nixon para o terceiro mandato, a atuação da nova safra dos super-herois, tudo com um ar nostalgico e lento, ao som de Bob Dylan - The Times They Are A-Changin’.
Doutor Manhattan antes do acidente, com sua namorada...
Alias, a trilha sonora é algo digno de nota. Maravilhosa. Alem dessas musicas, temos Simon & Garfunkel com a linda "The Sound Of Silence" (exibida durante o enterro do Comediante), Janis Joplin e sua "Me & Bobby McGee" (tocada por uma velha Jukebox em Saigon, durante a Guerra do Vietnam), Jimi Hendrix e "All Along The Watchtower" (quando Coruja e Rorschach vão visitar Ozymandia em sua Fortaleza no Polo Sul), "Ride of the Valkyries" (tocada quando Doutor Manhattan epicamente destroi, um por um, o exercito vietnamita) e claro, Leonard Cohen com "Hallelujah" (tocada durante a tão aguardada cena de sexo).
E o mais importante de tudo. A maioria das musicas dessa trilha sonora ou estão no Gibi original (tocando de fundo, com foi o caso do "You’re My Thrill" de Billie Holiday), ou são citadas durante as reportagens e entrevistas que compoem a história.
... e aqui, depois do acidente, explodindo alguns campangas do vilão Moloch
Claro, eu tenho criticas sim... Minha primeira critica é quanto as cenas de ação: muito longas e coreografadas, mais pareciam cenas de Matrix. Alem disso, existia violencia demais. Não quero dizer que o filme não devesse ter cenas violentas, mas todos os personagens eram violentos demais e isso ofusca o Rorschach, esse sim, violento originalmente.
Já vou adiantando, o fim não é igual ao gibi. Isso não me incomodou, na verdade. Achei que a solução encontrada pelo diretor ficou melhor no cinema do que ficaria o original. Mas a forma com que foi conduzida o final não me agradou. Não só perdeu todo o impacto que existia no HQ (afinal, uma história epicamente conduzida tem que terminar de forma epica), como tambem reduziu muito o dilema entre a solução final e o destino do mundo, caso ela não tivesse sido tomada.
E para terminar o capitulo "Reclamações sobre o final", odiei a mudança de foco dada aos personagens Coruja / Rorschach, Espectral / Doutor Manhattan. Acho que ficaria muito melhor e mais convicente como estava no gibi.
Os Homens Minutos originais: Da direita para esquerda: Traça, Silhouette, a amante da Silhouette (sim, ela era lesbica), Comediante, Espectral Original gravida, marido da Espectral, Coruja Original, Capitão Metrópole e o Justiça Encapuzada
Acho que de reclamação era apenas essas. O filme foi muito bem feito e tornou realidade algo que eu não imaginava ser possivel: Tranportar o Watchmen do gibi para a telona o mais fielmente possivel. Foi tão bem feito que as vezes parece que você está lendo uma versão animada dos quadrinhos. E é muito divertido reconhecer detalhes insignificantes no filme, mas que estão presente nos quadrinhos: "Olha lá o Ginger Dinner", "Veja o cartaz com a propaganda do perfume Millenium", "Olha lá a banca de jornais e os dois Bernies", "Veja a Bubastis" (embora não exista motivo ou razão para ela existir no filme).
A escolha dos atores foi perfeita, tirando o Ozymandias (que para mim, só a cara dele já entrega parte da trama) e a Espectral (mulher absurdamente gostosa, mas sem a personalidade da versão em duas dimensões), todos os outros personagens, incluindo os personagens secundarios, foram escolhidos a dedo.
De resto, otimo filme. Não vejo a hora de sair a versão do diretor para vender. Pois certamente terei ela na minha coleção. E assistirei mais umas 30 vezes.
Versão "fracassada" dos Watchmen: Comediante, a nova Espectral, Doutor Manhattan (graças a Deus, de sunga), Ozymandias, o novo Coruja e Rorschach
Minha nota de 0 a 10: 9,0














