The Wrestler

Não está apenas cada vez mais dificil atualizar esse site. Está cada vez mais dificil encontrar tempo para fazer as coisas que eu gosto: assistir filmes, viajar, ler, jogar video-games e afins. Mas eu consegui encontrar um tempinho para assistir alguns filmes, e um deles foi o The Wrestler.

Para quem me conhece, ou acompanha esse site, sabe que um dos assuntos que eu curto acompanhar é luta livre americana. Então, quando soube do The Wrestler e que esse filme não só tinha levado dois Globos de Ouro como tinha chance de levar o Oscar tambem, eu mais que depressa arrumei um tempo para verificar o que tanto chama atenção do povo para esse filme.

Então, como de praxe, clique na matéria para acompanhar o que eu achei do filme (OBS: se você ainda não assistiu e não deseja ficar sabendo da história, NÃO ENTRE, pois minha resenha certamente poderá estragar o prazer de assistir o filme).

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O filme conta a história de Randy Robison (personagem do vetereno Mickey Rourke), mais conhecido como The Ram, um lutador de luta livre que no seu auge, durante a decada de 80, fazia o publico vibrar com seus combates. O problema é que estamos no século 21, o mundo mudou e hoje Randy tem que se virar para continuar a vida.

Existem certas coisas que são como um vicio. Essas coisas criam uma dependencia tão grande que é quase impossivel largar. E para Randy, esse vicio é a luta livre. Assim, mesmo 20 anos após seu apice no "esporte-entretenimento", ele continua a lutar no circuito "Underground" de luta livre. Desta forma, a vida de Randy meio que se resume a arrumar grana durante a semana trabalhando em um supermercado e lutar durante os finais de semana (e passar o restante da semana suportando as dores já caracteristicas da idade).

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The Ram andando pela praia com sua roupa remendada

Para Randy, a vida não precisa ser melhor do que isso, embora pareça uma vida sem sentido para muita gente. Para aliviar a tensão dos problemas da vida (dores, dinheiro curto, aluguel atrasado, etc..), Randy visita regularmente uma boate, aonde encontra uma "amiga" em uma stripper (Marisa Tomei, maravilhosa apesar da idade). Ela mesmo é uma versão espelhada do Randy: mãe solteira, sem qualificação para outro emprego e com uma idade indesejada para o trabalho.

Esse dois mundos muito semelhantes acabam aproximando ambos muito alem da relação entre uma stripper e um cliente. E ela é uma das poucas pessoas dispostas a escutar Randy comentando sobre seus combates epicos realizados no passado e dos seus futuros planos: um combate com seu antigo "inimigo", Aiatolá, em uma reedição de sua maior luta a vinte anos atrás em um evento para fãs.

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Marisa Tomei linda e ousada

Mas a vida adora pregar peças, ainda mais no cinema. Durante um combate, Randy sofre um infarte e acorda no hospital. Lá, o médico o proibe de continuar lutando, caso deseje continuar vivendo.

O golpe é duro, mas Randy tenta retomar a vida. Primeiramente tenta se aproximar da stripper e criar um relacionamento mais sério. Tambem tenta se reaproximar de uma filha que ele abandonou na juventude. E para completar, arruma um emprego melhor como balconista de um supermercado. Tudo parece dar certo para ele durante um tempo, mas não por muito tempo.

É um filme triste, que mostra o quanto uma pessoa diferente tenta abandonar um mundo no qual ele se sente bem para se adaptar a um mundo novo, e é impiedosamente rejeitado. Em uma das cenas mais tristes para mim, ele chama um garoto para jogar videogame (um jogo da decada de 80, super antigo, aonde o personagem principal é ele mesmo, o Ram) e o jovem joga uma partida meio que por dó e o deixa sozinho por "ter que fazer algo".

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The Ram sofrendo na mão do Necrobutcher

Quem espera nesse filme um filme de luta, pode esqueçer. Embora mostre algumas lutas durante o filme, é mais para mostrar como é o universo da luta livre e talvez tentar apagar a imagem que aqui no Brasil existe de ser "marmelada". Para um lutador, a vitória ou o cinturão não tem importancia nenhuma. O mais importante é fazer a torcida se divertir, gritar e torcer. Nem que para isso seja necessário se cortar de verdade, ou se atirar de cima de uma escada em cima de uma mesa em chamas. É interessante ver que não existe birra. O lutador sabe mais ou menos como será a luta, sabe que no fim irá perder, e mesmo assim arrisca o próprio bem estar para mexer com a galera.

Mas mais do que isso, o filme mostra como alguem pode se sentir "um estranho" em algum lugar. E como mesmo se esforçando para se adaptar a uma nova vida, é derrotado não por um lutador vilão, mas pelos seus próprios esforços.

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Randy tentando reatar os laços que foram rompidos entre ele e sua filha

Minha opinião? O filme é bom sim. As vezes, triste (ouvi dizer de um amigo que ele não aguentou e chorou no final, que claro, não vou contar). Mas para mim, não é bom o suficiente para ganhar um Oscar. Mas como diria Fernanda Montenegro: "E dai? O que importa é que o filme está ai, para assistirmos e meditarmos sobre ele".

O filme meio que me lembra o Rock (o primeiro - e vale lembrar que o primeiro Rock ganhou um Oscar). Um lutador que tenta conciliar a vida normal com sua vida no ringue. Mas os finais são diferentes, não existe como Randy vencer. Se ele voltar a lutar, ele morre. E se não voltar, vai se sentir uma paria para o resto da vida.

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The Ram esmaga, golpe principal do lutador

Não que isso torne o filme ruim, mas definitivamente o filme não é bom o suficiente para um Oscar. De qualquer forma, é otimo para fazer que o espectador pare para pensar se o que é importante para uma pessoa, fazer o que gosta ou tentar ser mais um dentro da sociedade.

Minha nota de 0 a 10: 7,5

Veja mais duas fotos do filme:

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